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Índice do Artigo
Quando um parafuso começa a girar em falso, a sensação é de que “a parede esfarelou” por dentro. Isso acontece muito depois de trocar um suporte, mudar um quadro de lugar ou reapertar algo que já foi removido algumas vezes.
Na prática, o problema costuma ser um furo largo, onde a bucha não consegue mais expandir e travar. Antes de insistir com força, vale parar e recuperar a base, porque apertar no vazio só aumenta o desgaste e pode soltar tudo de uma vez.
A boa recuperação é aquela que devolve atrito e apoio ao redor da bucha, sem criar uma “gambiarra dura” que quebra por vibração. O caminho certo depende do tipo de parede, do peso da peça e de como a carga vai puxar o ponto de fixação.
Resumo em 60 segundos
- Confirme se o ponto é seguro: evite áreas com possível fiação, tubulação e bordas frágeis.
- Identifique a parede (alvenaria, drywall, concreto, bloco oco) antes de escolher a correção.
- Remova a bucha antiga e limpe o interior do furo, tirando pó solto e material esfarelado.
- Escolha uma estratégia: preencher e refazer o ponto, aumentar diâmetro com critério, ou mudar o tipo de fixação.
- Recrie um “corpo” firme ao redor da bucha e respeite o tempo de cura do material usado.
- Perfure novamente com broca compatível, mantendo o furo reto e na profundidade certa.
- Faça o aperto final com controle: pare quando a peça encostar e estabilizar, sem esmagar a parede.
- Se houver risco estrutural, elétrico ou de queda pesada, chame um profissional qualificado.
Entenda por que a fixação perde firmeza

Uma fixação comum funciona quando a bucha expande e pressiona as paredes do furo. Essa pressão cria atrito, e o atrito segura o parafuso no lugar.
Quando o furo aumenta, trinca por dentro ou vira “poeira”, a bucha expande sem encontrar resistência. O parafuso até entra, mas não trava, e qualquer vibração começa a afrouxar.
Isso é típico em pontos de uso repetido, como suportes de varal, prateleiras mexidas, porta-toalhas e suportes de cortina. Também aparece em paredes antigas com reboco fraco ou em alvenaria oca perfurada de forma agressiva.
Diagnóstico rápido: o que observar antes de mexer
O primeiro diagnóstico é simples: puxe a bucha com cuidado ou tente girar com os dedos. Se ela gira inteira, o problema é falta de atrito no furo, não no parafuso.
Depois, observe o que sai de dentro: pó fino, grãos maiores, pedacinhos de reboco ou farelos de tijolo. Pó fino constante costuma indicar furo “lixado” por vibração; farelos grandes sugerem que a broca quebrou a borda interna.
Olhe também a posição do furo em relação a quinas e vãos. Em apartamento, é comum pegar uma faixa de reboco mais espessa; em casa, pode haver parede com bloco oco onde o furo “estoura” fácil ao atravessar a primeira camada.
Tipos de parede e como isso muda a solução
Em alvenaria maciça (tijolo maciço, concreto mais “cheio”), a recuperação costuma funcionar bem com preenchimento e refuração. O material ao redor tende a segurar de novo se você recriar a geometria certa.
Em bloco cerâmico furado ou bloco de concreto vazado, o furo pode abrir um vazio interno. Nesse caso, só “encher” a boca do furo nem sempre resolve, porque a bucha pode ficar sem apoio no fundo e girar novamente.
Em drywall, o comportamento é outro: não é o furo que “aperta” a bucha comum, e sim o sistema de ancoragem atrás da placa. Se o ponto foi alargado, a solução pode exigir mudar o tipo de fixação ou reposicionar o ponto.
Em áreas úmidas (banheiro, lavanderia, parede externa), a umidade pode amolecer reboco e reduzir atrito ao longo do tempo. A recuperação precisa considerar a causa, senão o problema volta com poucos meses de uso.
furo largo: como escolher a estratégia sem adivinhação
Para decidir bem, pense no que a fixação precisa fazer: segurar peso parado, resistir a puxões laterais ou aguentar vibração. Um suporte de TV puxa diferente de um cabideiro, e uma prateleira trabalha diferente de um varal.
Se o item é leve e a parede é maciça, normalmente vale preencher, esperar curar e refurar no mesmo lugar. Se o item é médio e a parede é oca, pode ser melhor mudar o tipo de bucha para uma que “abra” no vazio.
Se o item é pesado ou crítico, a regra é ser conservador: ou reforçar com solução adequada ao material, ou mudar o ponto para uma área mais segura. Nessa faixa, insistir no mesmo buraco por teimosia é o que mais gera queda e trinca.
Um teste prático ajuda: insira uma haste fina (sem forçar) para sentir se há vazio logo depois da primeira camada. Se “some” rápido, trate como parede oca e evite soluções que dependem de atrito contínuo no fundo.
Passo a passo: recuperar o ponto preenchendo e refazendo o furo
Essa é a abordagem mais previsível em alvenaria e concreto quando o material ao redor ainda é saudável. A ideia é recriar um “miolo” firme, sem pó, e devolver um furo com diâmetro correto.
Comece removendo a bucha antiga. Se ela estiver presa, puxe com um alicate com cuidado para não arrancar mais reboco ao redor.
Depois, limpe o interior do furo. Um pincel pequeno e sopros curtos já ajudam; se houver muito pó, repita até parar de sair material solto.
Agora vem o preenchimento. O importante é que o material escolhido fique compacto, com boa aderência e sem encolher demais ao secar, porque retração cria folga novamente.
Aplique o preenchimento em camadas, pressionando para ocupar o fundo e as laterais. Se você só “tampa” a entrada, a bucha vai empurrar o miolo para dentro e o ponto volta a girar.
Respeite o tempo de cura antes de furar de novo. A pressa aqui costuma destruir o reparo, porque a broca rasga um material ainda fraco e cria um furo oval.
Na refuração, use broca do diâmetro correto e mantenha o furo reto. Um leve desvio de ângulo faz a bucha expandir desigual, gerando folga em um lado.
Coloque uma bucha compatível, insira o parafuso e aperte com controle. Se o parafuso “começa a afundar” sem resistência, pare e reavalie, porque você pode estar esmagando o preenchimento.
Passo a passo: corrigir aumentando o diâmetro com critério
Aumentar o furo e usar uma bucha maior pode funcionar, mas só quando a parede tem material suficiente ao redor. Em reboco fraco, isso pode virar uma sequência de furos cada vez maiores.
Primeiro, confirme se você tem “carne” para aumentar sem chegar perto de uma quina, de uma junta frágil ou de outro furo muito próximo. Furos colados tendem a criar uma linha de trinca.
Faça o aumento em um único passo, com broca adequada e rotação controlada. Vários aumentos pequenos podem “lixar” a parede por atrito e ampliar ainda mais o problema.
Antes de colocar a bucha maior, limpe o pó com atenção. A bucha segura melhor em parede limpa, porque o atrito acontece em material sólido, não em poeira solta.
Se o parafuso for reaproveitado, verifique se ele combina com a bucha nova. Parafuso fino em bucha grande expande pouco e tende a girar, mesmo em furo bem feito.
Finalize com aperto progressivo. Em fixações de suporte (como de prateleira), é melhor apertar alternando os pontos para que a peça encoste por igual e não force um único furo.
Passo a passo: quando a parede é oca e o vazio atrapalha
Em bloco oco ou drywall, o erro mais comum é insistir em bucha de atrito como se fosse alvenaria maciça. Nessas paredes, a fixação precisa “ancorar” atrás ou distribuir carga.
No bloco oco, muitas vezes existe apenas uma camada inicial firme e um vazio logo depois. Se a bucha fica só nessa casca, ela gira com facilidade quando a carga puxa para fora.
A solução mais segura costuma ser usar um sistema de fixação projetado para oco, que abra ou apoie no interior. Outra alternativa é reposicionar o ponto para uma região de maior resistência, como perto de um montante no caso do drywall.
Se você não consegue identificar a estrutura no drywall ou se a peça é de carga relevante, a orientação mais prudente é buscar um profissional. Fixação errada em drywall pode rasgar a placa de uma vez, em vez de “afrouxar aos poucos”.
Erros comuns que fazem o problema voltar
O primeiro erro é reapertar até “parar de girar” no braço. Isso pode triturar o reboco por dentro e alargar o ponto ainda mais, mesmo que pareça firme na hora.
Outro erro é não limpar o furo. Poeira funciona como lubrificante: a bucha expande sobre um “talco” e o atrito cai bastante.
Também é comum escolher bucha pelo “olhômetro”, sem casar diâmetro e parafuso. Se o parafuso não expande a bucha, a fixação fica dependente de sorte e variação de material.
Por fim, muita gente refaz o furo antes do preenchimento curar. O resultado é um miolo fraco, que segura por alguns dias e depois afrouxa com a vibração normal da casa.
Regra de decisão prática para não insistir no lugar errado
Se o objeto é leve e a falha é recente, vale tentar recuperar o mesmo ponto com preenchimento e refuração. É uma correção que costuma durar quando o reparo cria material firme ao redor.
Se a peça é média e recebe puxões (como varal, suporte de cortina, barra de apoio para toalha), prefira soluções que aumentem área de apoio ou mudem o tipo de ancoragem. A carga dinâmica é o que mais “come” parede ao longo do tempo.
Se a peça é pesada, está acima de circulação ou pode machucar alguém em caso de queda, a regra é não improvisar. Mudar o ponto, redistribuir carga e garantir base adequada é mais importante do que aproveitar o buraco antigo.
Um sinal claro de que é hora de parar é quando a parede trinca em volta do furo ou quando o parafuso volta a girar após duas tentativas bem feitas. Nessa fase, insistir costuma ampliar o dano e aumentar o retrabalho.
Quando chamar um profissional
Chame um profissional qualificado se o ponto fica perto de quadro elétrico, tomadas, interruptores ou áreas onde você suspeite de fiação. Perfuração em local errado pode causar choque e danos sérios.
Também vale chamar ajuda quando o item é pesado, suspenso ou crítico, como armários, suportes de TV, corrimãos e estruturas que podem cair sobre pessoas. Nesses casos, não é só “ficar firme”; é ficar seguro ao longo do uso.
Se a parede está esfarelando em volta de vários pontos ou se há sinais de umidade constante, o problema pode ser maior que o furo em si. Um profissional consegue avaliar se há reboco comprometido, infiltração ou necessidade de tratamento antes da fixação.
Prevenção e manutenção: como evitar que o furo abra de novo

A prevenção começa no furo bem feito: broca correta, ângulo reto e profundidade compatível com bucha e parafuso. Um furo torto cria expansão desigual e folga prematura.
Evite retirar e recolocar o mesmo parafuso muitas vezes no mesmo ponto. Em itens que precisam de manutenção frequente, é melhor planejar um sistema de fixação pensado para repetição, em vez de depender da parede como “rosca”.
Em áreas úmidas, observe se a fixação afrouxa junto com sinais de mofo, descascamento ou reboco “oco”. Se a umidade for a causa, recuperar o ponto sem resolver o ambiente tende a ser solução temporária.
Por fim, faça reapertos leves e periódicos quando necessário, sem exagerar no torque. A maioria das folgas começa pequena, e corrigir cedo costuma evitar que o ponto se transforme em retrabalho maior.
Checklist prático
- Verifique se a área é segura e longe de possíveis fios e canos.
- Remova a bucha antiga sem arrancar reboco ao redor.
- Limpe o interior do furo até parar de sair pó solto.
- Identifique se a parede é maciça ou oca antes de escolher a correção.
- Se for preencher, compacte o material também no fundo, não só na boca.
- Respeite o tempo de cura do preenchimento antes de refurar.
- Refaça o furo no diâmetro certo e com ângulo reto.
- Use bucha e parafuso compatíveis entre si e com o tipo de parede.
- Faça o aperto progressivo, parando quando a peça estabilizar.
- Observe trincas ao redor: se aparecerem, pare e reavalie o ponto.
- Em parede oca, prefira ancoragem apropriada ao material.
- Para cargas altas ou risco de queda, priorize segurança e chame um profissional.
Conclusão
Recuperar um ponto de fixação não é “forçar até dar certo”, e sim reconstruir o apoio que a bucha precisa para trabalhar. Quando você limpa, recompõe material e refaz o furo com medida e alinhamento, a firmeza volta de forma mais estável.
Se a parede é oca, a decisão muda: a fixação precisa ancorar de outro jeito ou ser reposicionada. E se a peça é pesada ou crítica, a escolha mais responsável é tratar como segurança, não como estética.
Qual foi o seu caso: parede maciça que esfarelou ou parede oca que não segura? E a peça que você quer fixar sofre puxões e vibração no dia a dia, como varal e cortina, ou é carga parada?
Perguntas Frequentes
Posso colocar um palito de madeira no buraco para “apertar” a bucha?
Em geral, essa solução é instável porque a madeira pode esmagar, absorver umidade e perder volume. Pode até segurar em usos muito leves, mas tende a afrouxar com vibração e tempo.
É melhor refazer no mesmo lugar ou mudar o ponto alguns centímetros?
Se a parede é maciça e o reparo foi bem feito, o mesmo lugar pode voltar a ficar confiável. Se há trinca, quina próxima, vazio interno ou carga alta, mudar o ponto costuma ser mais seguro.
Como saber se a parede é bloco oco sem quebrar nada?
Um indício é a broca “entrar fácil” depois da primeira camada e o som ficar mais oco ao bater de leve. Se você sentir vazio logo após poucos milímetros, trate como parede oca e evite depender apenas de atrito no fundo.
Por que o parafuso gira, mas não entra nem sai?
Isso acontece quando a bucha gira junto e prende por atrito irregular, como se estivesse “mastigando” o material interno. Nessa situação, o melhor é remover com cuidado e reconstruir o ponto, em vez de insistir no giro.
Em drywall, dá para reutilizar o mesmo buraco que alargou?
Depende do tipo de ancoragem e do tamanho do dano na placa. Muitas vezes é mais seguro trocar o tipo de fixação ou reposicionar para um local com estrutura, porque a placa pode rasgar se a carga puxar.
Quanto tempo devo esperar antes de parafusar depois de preencher?
Varia conforme o material e as condições do ambiente, como umidade e ventilação. O ideal é respeitar a cura recomendada pelo fabricante e evitar furar “meio úmido”, porque isso enfraquece o miolo por dentro.
Se a parede está úmida, adianta recuperar o ponto?
Pode adiantar por um tempo, mas a umidade tende a reduzir aderência e firmeza do reboco ao longo dos meses. Se a causa for infiltração, o mais importante é resolver a origem antes de confiar carga no local.
Referências úteis
SENAI — materiais e técnicas de construção: senai.br — construção
UFRGS — conteúdos educativos em engenharia e materiais: ufrgs.br — engenharia
ABNT — normalização e referências técnicas no Brasil: abnt.org.br — normas
