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Índice do Artigo
Quando uma gaveta começa a raspar, enroscar ou fechar “torta”, a tendência é forçar no impulso. Só que isso costuma piorar o desalinhamento, afrouxar parafusos e até empenar a peça com o tempo.
Uma Gaveta desalinhada quase sempre tem causa simples: folga em ferragens, trilho sujo, móvel fora de nível ou uma pequena torção na caixa da gaveta. Com um diagnóstico curto e alguns ajustes, dá para recuperar o movimento sem “gambiarras”.
A ideia aqui é seguir um checklist prático: primeiro você identifica onde está o problema, depois escolhe o ajuste certo para o seu tipo de corrediça e, por fim, aplica medidas de prevenção para não voltar a acontecer.
Resumo em 60 segundos
- Retire a gaveta e observe marcas de atrito (laterais, fundo e trilhos).
- Confira se o móvel está nivelado no piso e se não está “torcendo” com peso desigual.
- Verifique folga: puxe a frente da gaveta para cima/baixo e note se há jogo excessivo.
- Identifique o tipo de corrediça (metálica telescópica, roldana, oculta) antes de ajustar.
- Aperte parafusos das corrediças e do gabinete, sem espanar a madeira.
- Limpe pó e detritos dos trilhos e do fundo da gaveta (principal causa de raspagem).
- Faça microajustes: alinhe paralelismo entre trilhos, corrija altura e centralize a gaveta.
- Teste com carga real (peso típico) e repita o ajuste fino até correr leve.
O que você observa antes de mexer em qualquer parafuso

Antes do ajuste, vale entender o sintoma exato. “Enrosca” pode significar atrito lateral, trilho desnivelado, frente raspando no tampo ou fundo pegando no gabinete.
Abra e feche devagar, sem peso, e depois com um peso parecido com o uso (panelas, talheres, roupas). Se piora com carga, o problema costuma ser folga ou falta de paralelismo entre trilhos.
Repare também em ruídos. Estalo seco costuma ser parafuso solto ou trilho “trabalhando” na madeira; rangido constante sugere sujeira, atrito ou falta de lubrificação apropriada.
Diagnóstico rápido: onde está raspando e por quê
Retire a gaveta e procure por marcas brilhantes na madeira, riscos no metal ou pó acumulado em pontos específicos. Esse “mapa” mostra onde está o contato que não deveria existir.
Marcas nas laterais indicam gaveta fora de esquadro, trilhos desalinhados ou gabinete torcido. Marcas no fundo podem vir de detritos ou de um fundo levemente solto que desceu alguns milímetros.
Se a frente da gaveta encosta no móvel ao fechar, o problema pode estar na regulagem da fachada (quando existe) ou na altura da gaveta em relação ao vão.
Gaveta desalinhada e as causas mais comuns
Na prática, quatro causas aparecem mais do que o resto: parafusos afrouxados, sujeira nos trilhos, móvel fora de nível e desgaste/folga nas corrediças. Em móveis mais antigos, soma-se a isso o empeno da madeira por umidade.
Em casa ou apartamento, é comum o piso não estar perfeitamente nivelado. Um móvel que “bambeia” alguns milímetros pode torcer o gabinete e transformar um trilho alinhado em dois trilhos em conflito.
Outro ponto típico é sobrecarga. Gavetas de cozinha recebem peso alto e, dependendo da montagem e da ferragem, isso abre folgas e faz a gaveta descer e raspar.
Identifique o tipo de corrediça para não ajustar no lugar errado
O ajuste muda bastante conforme a ferragem. As mais comuns são: telescópicas metálicas (com esferas), roldanas (plástico/metal) e corrediças ocultas (por baixo).
Telescópicas costumam ter parafusos em rasgos alongados, que permitem microajuste de posição. As de roldana são mais sensíveis a variações de altura e costumam “denunciar” gabinete torto com travadinhas.
Nas ocultas, muitas vezes há regulagens por parafusos ou travas na parte inferior da gaveta. Se você não vê trilho lateral, olhe por baixo: ajustar por cima pode não resolver.
Fonte: sebrae.com.br — ferragens
Passo a passo prático de ajuste sem “forçar” a estrutura
Comece tirando a gaveta totalmente. Em telescópicas, geralmente existe uma trava para soltar a parte interna do trilho; em outras, é levantar a frente e puxar até sair. Faça com cuidado para não entortar o metal.
Com a gaveta fora, aperte os parafusos do trilho no gabinete e depois os parafusos do trilho na gaveta. Aperte firme, mas sem “moer” a madeira: se o parafuso gira em falso, ele não vai segurar alinhamento.
Recoloque e teste. Se ainda raspar, use os rasgos alongados dos parafusos para mover o trilho milímetro a milímetro, sempre mantendo os dois lados simétricos. Ajuste, teste, ajuste de novo.
Como nivelar o móvel e eliminar a torção do gabinete
Se o móvel estiver fora de nível, a gaveta pode correr bem vazia e travar com peso. Um teste simples é pressionar alternadamente os cantos do móvel e sentir se ele “balança”.
Quando há balanço, calce o ponto mais baixo com calço firme (borracha, feltro denso ou calço próprio), até parar de oscilar. Em cozinhas, isso costuma acontecer perto de áreas molhadas, onde o piso pode variar.
Se for um armário suspenso ou fixo, torção pode indicar fixação frouxa ou parede irregular. Nesse caso, ajuste de gaveta sozinho tende a ser paliativo e vale avaliar a fixação com um profissional.
Limpeza e lubrificação: o que ajuda e o que atrapalha
Poeira, farelo de madeira e pequenos objetos (grampos, moedas, parafusos soltos) são campeões de travamento. Limpe trilhos e cantos com aspirador ou pincel, e passe um pano seco para remover o fino.
Na lubrificação, menos é mais. Em trilhos com esferas, um lubrificante adequado e aplicado em pequena quantidade pode reduzir ruído. Já óleo em excesso vira “ímã” de poeira e, semanas depois, o trilho fica pior do que antes.
Evite improvisos como gordura de cozinha ou produtos pegajosos. Se houver ferrugem ou desgaste visível, o ajuste pode não durar e o melhor caminho é avaliar substituição da ferragem.
Erros comuns que fazem a gaveta piorar depois do ajuste
O erro mais comum é apertar parafuso até espanar a madeira. Quando a rosca perde “pegada”, o trilho volta a andar com a vibração normal do uso e o problema retorna em pouco tempo.
Outro erro é alinhar só um lado. A gaveta até fecha, mas trabalha em diagonal, forçando as esferas e abrindo folga mais rápido. O ajuste precisa pensar em paralelismo: trilho esquerdo e direito devem ficar “espelhados”.
Também é comum tentar corrigir raspagem lixando a gaveta antes de ajustar trilhos. Lixar pode mascarar a causa e tirar material onde não precisava, criando folga e piorando o acabamento.
Regra de decisão prática: ajustar, reforçar ou substituir?
Se o trilho está inteiro, sem amassados, e o problema muda quando você aperta parafusos, a chance é alta de ser só ajuste e limpeza. Esse é o cenário mais fácil de resolver em casa.
Se há parafuso girando em falso, a decisão costuma ser reforçar fixação antes de reajustar. Isso pode envolver trocar por parafuso um pouco mais longo, usar bucha de madeira ou reforço interno, dependendo do material do móvel.
Se o trilho está torto, com esfera escapando, roldana gasta ou metal com folga grande, ajustar vira um ciclo sem fim. Nesses casos, a troca da corrediça tende a ser a solução mais estável.
Quando chamar um profissional (e por quê)

Chame um profissional quando o móvel estiver empenado, com partes soltas, estufadas por umidade ou quando a fixação do gabinete na parede/piso estiver comprometida. A gaveta pode ser só o sintoma de um problema estrutural maior.
Se você precisa furar, rebaixar madeira, mexer em prumo de armário fixo ou substituir ferragens sem saber o padrão, o risco de estragar o móvel aumenta. Um montador ou marceneiro consegue corrigir com menos tentativa e erro.
Em cozinhas, atenção extra quando o móvel fica perto de gás, água e eletricidade (cooktop, tomada interna, iluminação). Se houver qualquer dúvida de segurança no ambiente, vale apoio técnico.
Fonte: sebrae.com.br — montagem
Prevenção e manutenção no Brasil: umidade, carga e uso real
Em muitas regiões do Brasil, a umidade muda bastante ao longo do ano. Madeira e MDF podem “trabalhar”, e pequenas variações já bastam para criar raspagem em gavetas com folga mínima.
Uma prevenção simples é evitar sobrecarga e distribuir peso: itens mais pesados no centro e no fundo, evitando concentrar tudo na frente. Isso reduz a alavanca que força o trilho e abre folga.
Outra medida prática é revisar parafusos e limpeza a cada alguns meses, principalmente em gavetas de cozinha. O objetivo não é desmontar tudo, e sim perceber cedo quando algo começou a afrouxar.
Checklist prático
- Teste o movimento vazio e depois com o peso típico de uso.
- Retire a gaveta e procure marcas de atrito (madeira brilhante, riscos no metal).
- Confirme se há balanço no móvel ao pressionar os cantos.
- Calce o ponto baixo do móvel até eliminar a oscilação.
- Identifique o tipo de corrediça antes de mexer em regulagens.
- Aperte parafusos do trilho no gabinete e na gaveta, sem espanar.
- Limpe trilhos, cantos e o fundo da gaveta com aspirador ou pincel.
- Recoloque a gaveta e faça ajustes milimétricos nos rasgos alongados (se houver).
- Garanta paralelismo: compare a posição do trilho esquerdo e direito.
- Observe se a frente encosta no móvel ao fechar e corrija a altura/centralização.
- Evite lubrificar em excesso; se usar, aplique pouco e remova o excesso.
- Se a fixação gira em falso, reforce antes de reajustar.
- Se o trilho estiver torto, com folga grande ou roldana gasta, considere substituição.
- Se houver empeno do gabinete, estufamento por umidade ou risco no ambiente, chame um profissional.
Conclusão
Quando a gaveta não corre direito, o caminho mais seguro é diagnosticar primeiro e ajustar depois. Na maioria dos casos, limpeza, aperto correto e alinhamento milimétrico resolvem sem desgaste extra do móvel.
Se o problema volta rápido, trate como sinal: pode ser carga excessiva, fixação frouxa ou ferragem no fim da vida útil. Resolver a causa evita repetir o ajuste e preserva o gabinete.
Na sua casa, o que acontece mais: a gaveta raspa na lateral, trava no meio do curso ou não fecha alinhada? E qual tipo de corrediça você encontrou no seu móvel?
Perguntas Frequentes
Por que a gaveta trava só quando está cheia?
Com peso, a gaveta tende a descer alguns milímetros e qualquer folga vira atrito. Isso aponta para trilhos desalinhados, fixação frouxa ou ferragem subdimensionada para a carga.
Posso “resolver” lixando a lateral da gaveta?
Lixar pode aliviar o sintoma, mas costuma esconder a causa. Se o problema for trilho torto ou gabinete torcido, a raspagem volta e você perde material e acabamento sem necessidade.
Como sei se o móvel está fora de nível?
Um sinal prático é o móvel balançar ao pressionar os cantos. Outra pista é a gaveta correr melhor quando você puxa levemente para um lado, como se “compensasse” uma torção.
Corrediça telescópica faz barulho, é normal?
Um pouco de ruído pode ocorrer, mas rangido constante ou estalos costumam indicar sujeira, falta de paralelismo ou parafusos frouxos. Limpeza e ajuste fino normalmente melhoram bastante.
Quando vale trocar a corrediça em vez de ajustar?
Quando há folga grande, trilho amassado, esfera escapando ou roldana gasta, o ajuste vira temporário. Trocar costuma ser mais estável do que “compensar” um desgaste avançado.
Como evitar que os parafusos afrouxem de novo?
Evite sobrecarga e batidas ao fechar. Se a madeira estiver cedida, reforce a fixação antes do alinhamento, porque parafuso em rosca “cansada” perde ajuste com o uso.
Uma gaveta torta pode indicar problema maior no armário?
Sim. Em móveis que torcem, estufam por umidade ou estão mal fixados, a gaveta é o primeiro componente a “denunciar”. Se houver empeno visível, vale avaliação profissional.
Referências úteis
Sebrae — materiais técnicos sobre montagem e instalação: sebrae.com.br — montagem
Sebrae — panorama de marcenaria e ferragens (PDF): sebrae.com.br — ferragens
SENAI — curso de montagem e desmontagem de móveis: senai.br — curso
